Galera que acompanha o Blog
Pensar e Fazer Música, é com muito prazer que damos início a este projeto de
divulgação dos músicos e bandas de Brasília e postamos a primeira entrevista com um grande músico do cenário musical da
cidade: o baterista Amaro Vaz.
Sua formação musical começou
ainda na infância, incentivado pelo pai, o pianista José Cabrera. Amaro se
formou pelo Instituto de Bateria Bateras Beat, onde foi aluno dos professores
Mauricio Barbosa e Dino Verdade.
O talento de Amaro Vaz não ficou
somente em Brasília. Logo o baterista foi para São Paulo, onde firmou-se no rol
dos grandes bateristas. Tocou com excelentes músicos, como Claudio Zoli, Negra
Li, Paula Lima, Vanessa Jackson, Léo Maia e Bruno Dourado. Gravou vários
discos, participou de produções de renome, da gravação do DVD do pianista José
Cabrera e mais recentemente do DVD Música Negra Brasilieira.
Amaro é um músico notável,
tocando jazz, samba, rock, soul e vários outros estilos musicais. Participou da
homenagem aos 50 anos da bossa nova, no Feitiço Mineiro. Gravou o programa Som
Brasil da Rede Globo em homenagem a Ataulfo Alves com a banda Ataque Beliz. O crescente
sucesso de Amaro em sua trajetória o consagrou endorser da Power Click e das Baquetas
Alba.
Em Brasília, Amaro continua seus
trabalhos como professor de bateria e como músico profissional. Toca na banda
Mr. Quai, cover da banda Jamiroquai (da qual, aliás, sou um grande fã), com a
cantora Thais Uessugui, com o cantor Rogério Midlej, José Cabrera Trio, Ataque
Beliz, Cipriano e na banda Magoo, que agita as noites de Brasília.
Hoje, além de ótimo músico Amaro
é marido, pai e estudante de publicidade e propaganda. São várias funções,
vários estilos de vida que se concentram em um cara muito gente boa e
divertido. Se fossemos falar sobre todos os trabalhos realizados por esse
batera, iríamos gastar várias horas. Então vamos à entrevista:
PEFM: Amaro, sabemos que você passou uma temporada em São Paulo,
cidade considerada a capital cultural e musical do país. Há realmente esse
abismo no incentivo à música quando comparamos São Paulo à Brasília?
Amaro Vaz: A
verdade é que São Paulo é uma cidade enorme e, como toda cidade enorme, tem uma
quantidade enorme de bons profissionais e não poderia ser diferente na música.
São excelentes músicos, bem preparados para qualquer tipo de trabalho e isso
faz com que a competitividade seja maior que em Brasília. Já Brasília por ser
menor, faz com quem esteja bem preparado se estabeleça no mercado. Sinto que os
músicos aqui são mais parceiros. Quando cheguei a São Paulo achei que estava
bem preparado, mas não foi bem assim. Fiquei mais ou menos um ano estudando
muito e me preparando, dando canjas na cidade para poder mostrar um pouco do
meu trabalho. Ouvi muita crítica construtiva e conselhos de grandes músicos que
me ajudaram a ser hoje o músico que sou.
PEFM: Dentre os vários projetos dos quais participou e os vários
artistas com quem você tocou, o que foi mais relevante no seu aprimoramento
como baterista?
Amaro Vaz: Eu
defendo a seguinte tese: Todos os músicos com os quais eu tive oportunidade de
tocar me ensinaram alguma coisa e contribuíram para meu crescimento
profissional. Posso começar pelo meu pai José Cabrera (pianista) que sempre me
mostrava músicas e artistas diferentes, me deu aulas de piano e, como tinha o
Cabrera em casa, sempre assistia aos ensaios dele em casa e com isso fui
aprendendo com os grandes da cidade. Leander Motta, Erivelton Silva, Nelsinho,
Hamilton Pinheiro, Romulo Duarte, Anderson Santos, André Vasconcelos e isso sem
contar a oportunidade de crescer dentro de estúdios de gravaçãoo aprendendo
muito e sempre.
PEFM: De volta a Brasília, você encontrou dificuldades para
continuar seu trabalho como músico? Quais?
Amaro Vaz: Na verdade não. Em Brasília estou cercado de
grandes amigos que são também excelentes músicos e com isso voltei ao mercado
quase que imediatamente. A única coisa que dificultou um pouco foi que tive que
esperar novas oportunidades de trabalho pois alguns trabalhos que eu tinha aqui
quando saí já tinham bateristas competentes que haviam assumido o meu lugar.
PEFM: Amaro, voltando um pouco ao passado, como você dividia o
tempo para os estudos no colégio e o estudo na batera? Quais os conselhos você
dá para a galerinha que está começando a tocar e tem que manter as boas notas
na escola?
Amaro Vaz: Então,
essa parte é um probleminha. Eu comecei a estudar muito cedo e tinha que dar um
jeito de dividir o tempo entre escola e música. O problema é que eu nunca
dividi 50-50, na verdade eu dividia 70-30 (70 música e 30 escola). Reprovei
algumas vezes por conta dessa divisão errada de tempo.
O
Conselho que eu posso dar pra galera que está começando agora e que ainda está
na escola é o seguinte: Dá tempo de fazer as duas coisas e conciliar o tempo
igualmente de forma a não deixar de atender nenhum dos dois lados. ESTUDEM
MÚSICA, MAS ESTUDEM PRA ESCOLA. CONHECIMENTO NUNCA É DEMAIS!
PEFM: Como professor de música, você se preocupa com o ensino mais
formal, como ler partituras, intervalos e solfejo? Aprender bateria dispensa o
estudo de teoria musical?
Amaro Vaz: Sempre que
trabalho como professor, antes de mais nada, pergunto qual o objetivo do aluno
e o que ele espera do estudo. Se ele quer ser músico e viver disso aí eu levo
mais a sério, cobro mais e me aprofundo mais na matéria, mas se o caso for
diferente como alguém que busca só descontração ou estuda pela curiosidade de
saber como é tocar um instrumento eu cobro menos, mas nunca de forma que o faça
um mau baterista!
PEFM: Meu caro, com tantos feitos como baterista profissional,
ainda há muitos sonhos para realizar?
Poderia citar um exemplo?
Amaro Vaz: Milhões
de planos e sonhos. Tocar em um evento com um artista internacional, conhecer o
baterista Quest Love do TheRoots. São tantos que se eu resolver citar todos a
entrevista acaba agora (rs)
PEFM: No mês de setembro você gravou o DVD Música Negra Brasileira
do Cipriano. Como foi gravar esse DVD? Dá muito trabalho?
Amaro Vaz: O
DVD Música Negra Brasileira foi uma outra escola. Primeiro passamos por um mês
corrido de pré produção, arranjo e concepção das músicas. Eram dois ensaios de
3 horas por semana onde não havia muito tempo para brincadeiras pois tínhamos
que montar 12 músicas e pensar nas participações especiais que chegariam apenas
nos dias de gravação do DVD (Izzy Gordon, Marcelo Mira, Walmir Borges, Robinho
e Moisés Alves Paraibach).
Nos dias
da gravação do DVD (foram 3 ao todo – um de montagem e passagem de som e 2 de
gravação) a gente se concentrou em deixar o som bem acertado, afinal éramos 2
Guitarras, Teclado, Cavaco, Bateira, Percussão, 3 Backing Vocals, e um MC
convidado além do Cipriano. 6 Câmeras e um total de 50 pessoas no set de
gravação. Se deu trabalho? DEU. Foi prazeroso? MUITO. E isso sem contar que
tocar ao lado de Paulo Góes (guitarra) Jadão (Baixo) Ted (Teclado) é fantástico
pois são excelentes músicos que trabalham para a música e isso fez toda a
diferença no desenrolar do trabalho.
PEFM: Com relação a equipamentos, qual batera você usa nos shows e
gravações?
Amaro Vaz: Desde
1998 estou usando a mesma bateria para shows e gravações: Uma Yamaha Recording
Custom 9000 que é a top de linha da Yamaha há mais de 30 anos.
Este ano,
com o fim do contrato com a Orion Cymbals, passei a usar pratos Sabian. O kit é
composto por: Legacy Crash 18” Vault Fierce Crash 16” Dry Ride 21”Maxi Splash
9”e um Hi-Hat Artisan 14”
Atualmente
sou patrocinado pelas Baquetas Alba e Power Click In Ear Monitor.
PEFM: Acompanho seu blog (http://raroblogdoamaro.blogspot.com/)
e lá você tem espaço para escrever sobre suas aspirações, angústias e medos. O
último post revelou algo desmotivador: o fato de não conseguir viver de música
em Brasília! Como você está encarando isso?
Amaro Vaz: Na
verdade foi um desabafo. Não que seja impossível viver de música em Brasília,
mas é mais complicado do que viver de música em São Paulo, por exemplo, e hoje
como tenho meu pequeno João Vicente, as necessidades da casa mudaram um pouco e
eu preciso de um pouco mais de receita. Continuo sendo mais baterista do que
qualquer outra coisa, mas se fez necessário um adicional.
PEFM: Você vem de uma família de grande tradição musical. Agora que
você também é pai, vai incentivar seu filho a seguir o rumo da música?
Amaro Vaz: Acredito
que todo pai deva influenciar o filho positivamente independente da profissão
que o pai tenha e menos ainda da profissão que o filho escolha ter. Acho que
mais que incentivadores nós pais precisamos ser apoiadores e formadores de
caráter. Um ser humano do bem certamente será bem sucedido no que escolher
fazer da vida.
É isso aí pessoal, essa foi a
entrevista com um grande músico de Brasília. Para conhecer mais um pouco sobre
a carreira do nosso amigo Amaro Vaz, você pode acessar os links abaixo com
vários vídeos e músicas. Não se esqueça de deixar o seu comentário e siga nosso
blog para ficar por dentro do que acontece em Brasília e no mundo da música. A entrevista da próxima semana será com o Cantor Saulo Sena. Aguardem e acompanhem. Obrigado
a todos!